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Eduardo Bertero - Doctoralia.com.br

Câncer de próstata

A incidência do câncer de próstata aumentou no final dos anos 80 e início dos anos 90 devido ao aumento da expectativa de vida, melhoria das ferramentas de diagnóstico e aumento das campanhas de prevenção em hospitais públicos e universitários. Até 1990, o adenocarcinoma da próstata representava o terceiro tumor do sexo masculino, sendo menos freqüente que o câncer do pulmão e o câncer de cólon. A partir daquele ano, os tumores da próstata ultrapassaram em número estas duas neoplasias e passaram a representar o câncer mais frequente do homem.

O câncer de próstata é hoje o segundo mais comum entre os homens em todas as partes do Brasil, perdendo apenas para os cânceres de pele que não são melanoma. Para o período de 2023 a 2025, espera-se que ocorram cerca de 71.730 novos casos desse câncer a cada ano no país. Ele também é a segunda maior causa de morte por câncer entre os homens. Esses números destacam a importância da conscientização sobre a prevenção e a detecção precoce do câncer de próstata.

Apesar da alta incidência, a taxa de sobrevida em 5 anos é de 97% devido ao baixo teor de malignidade do tumor, detecção precoce e avanço nas modalidades de tratamento. Então, podemos dizer que na maioria dos casos o câncer de próstata tem cura.

Em relação ao tempo de evolução do câncer de próstata, na maioria dos casos, o tumor apresenta um crescimento lento, de longo tempo de duplicação, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ e acometendo homens acima de 50 anos de idade.

Assim como em outros cânceres, a idade é um fator de risco importante, ganhando um significado especial no câncer da próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam exponencialmente após a idade de 50 anos.

A história familiar de pai ou irmão com câncer da próstata antes dos 60 anos de idade pode aumentar o risco de câncer em 3 a 10 vezes em relação à população em geral, podendo refletir tanto fatores hereditários quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias.

A influência que a dieta pode exercer sobre a gênese do câncer ainda é incerta, não sendo conhecidos os exatos componentes ou através de quais mecanismos estes poderiam estar influenciando o desenvolvimento do câncer da próstata. Contudo, já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, não só pode ajudar a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não transmissíveis.

O Câncer da próstata em sua fase inicial tem uma evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes ao crescimento benigno da próstata (dificuldade miccional, frequência urinária aumentada durante o dia ou à noite).

E sobre quais os sintomas do câncer de próstata em estágio avançado, ela pode ser caracterizada por um quadro de dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, como infecções generalizadas ou insuficiência renal.

O diagnóstico do câncer de próstata é feito pelo exame clínico (toque retal) e pela dosagem do antígeno prostático específico (PSA, sigla em inglês), que podem sugerir a existência da doença e indicarem a realização de Ressonância Magnética Multiparamétrica. Esse exame de imagem, por sua vez, poderá mostrar a necessidade de se realizar a biópsia prostática transretal.

O tratamento do câncer de próstata depende do estágio clínico. Para um estágio inicial de câncer localizado, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e até mesmo uma observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para um câncer localmente avançado, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Para o câncer metastático, o tratamento de eleição é a hormonioterapia.

A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após discutir os riscos e benefícios do tratamento com o seu médico.

A detecção precoce de um câncer é composta por ações que visam o diagnóstico precoce da doença em indivíduos sintomáticos e por ações de rastreamento, que é a aplicação de exames para a detecção da doença em indivíduos assintomáticos. A decisão do uso do rastreamento como uma estratégia de saúde pública deve se basear em evidências científicas de qualidade.

“Revisões sistemáticas sobre o tema rastreamento do câncer de próstata identificaram que o rastreamento aumenta de forma significativa o diagnóstico da doença, sem redução significativa da mortalidade específica e com importantes danos à saúde do homem. Muitos, com a doença menos agressiva, tendem a morrer com o câncer ao invés de morrer do câncer. Mas nem sempre é possível dizer, no momento do diagnóstico, quais tumores terão comportamentos agressivos e quais terão crescimento lento.” (Fonte: INCA/2023)

Desta forma, o Instituto Nacional de Câncer não recomenda o rastreamento para o câncer da próstata e continuará acompanhando o debate científico sobre este tema.