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Eduardo Bertero - Doctoralia.com.br

A reposição hormonal masculina pode levar ao câncer de próstata?

17 out
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A deficiência de Testosterona no homem idoso ou maduro vem sendo um tema de debate e interesse crescente no mundo todo.  Muitos estudos científicos indicam que o nível sanguíneo deste hormônio reduz significativamente em homens acima de 60 anos.

A menopausa, caracterizada pela irreversível parada da ovulação na mulher, marca o fim do período fértil feminino. O análogo, ou seja, a parada da produção de espermatozoides no homem, não existe.  Na realidade, existem relatos de homens na nona década que conseguem reproduzir. No entanto, o homem experimenta um declínio gradual de suas funções hormonais, sobretudo na diminuição de testosterona sanguínea circulante e na produção de espermatozoides.

Por isso, o termo andropausa é inadequado e deve ser substituído por Deficiência de Testosterona ou DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino).

DAEM é uma síndrome clínico e laboratorial caracterizada pela redução dos níveis de Testosterona no sangue, em homens mais maduros. DAEM pode resultar na queda de qualidade de vida e impactar negativamente em sistemas de múltiplos órgãos.

Durante a última década, houve um crescimento na conscientização sobre os benefícios para a saúde geral com a reposição hormonal de Testosterona (TRT) em homens com DAEM, incluindo melhora no desejo sexual e desempenho, melhora do humor, aumento de massa muscular e força, diminuição da massa gorda e melhora da mineralização óssea.

No entanto, por mais de 70 anos houve uma certa preocupação de médicos e pacientes de que um nível alto de testosterona poderia representar um risco para desenvolver câncer de próstata. Muitos urologistas inclusive, achavam de que a TRT poderia acelerar o processo de crescimento de algum câncer já presente e inicial. Alguns homens com sintomas de câncer de próstata chegavam a questionar o papel do hormônio masculino na sua origem.

Tudo isso ocorre pelo fato de que o crescimento prostático depende da presença de Testosterona. Inversamente, medicamentos que combatem a Testosterona, ditos antiandrogênicos e a castração cirúrgica ou remoção dos testículos, podem diminuir o crescimento da próstata. A verdade é que já existem vários estudos com alto nível de evidência científica comprovando que a reposição de Testosterona não promove o aumento da próstata. Assim como, há confirmação científica de que a TRT não desenvolve ou promove câncer de próstata. De uma maneira geral, a segurança em administrar Testosterona a homens com sua deficiência é tão grande, que já temos médicos fazendo tal reposição em pacientes que foram portadores de câncer de próstata e foram tratados para tal. Isso mesmo, homens que foram submetidos a extirpação cirúrgica da próstata por câncer ou tratados com radioterapia e que apresentavam redução da Testosterona e manifestações clinicas de DAEM, foram submetidos a TRT. O melhor é que, quando essa população de homens tratados foi seguida, a longo prazo, não ocorreu nenhuma recorrência da doença maligna. Existe ainda um grupo de cientistas liderado por um médico de Boston, Dr. Abraham Morgentaler (https://www.menshealthboston.com/), que são mais atrevidos. Eles estão fazendo reposição hormonal em homens com diagnóstico de câncer de próstata não tratados, por serem portadores de um tumor considerado “pouco maligno”.  Sem nenhuma surpresa para os pesquisadores, até a presente data, não existe nenhum indício de que esta reposição trouxe algum aceleramento do câncer nesta população de homens.

CONCLUSÃO

No homem idoso ocorre uma diminuição da função testicular que ocasiona um decréscimo da testosterona sanguínea circulante. A diminuição do hormônio é mais pronunciada em homens no grupo de risco de doenças cardiovasculares, mas também observada em populações saudáveis. A falência testicular, semelhante ao que ocorre com o ovário, e a tão falada “andropausa” não existem. Os sintomas decorrentes da queda de andrógenos ou hormônio sexual masculino do idoso como, fadiga (física e mental), perda de energia, queda de cabelo, perda de massa muscular, depressão e diminuição da libido, constituem uma síndrome que preferimos denominar de “Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino”.  Atualmente, podemos considerar como extremamente segura a reposição hormonal masculina em homens com níveis baixos de hormônios e com manifestações clínicas da doença DAEM. Existem trabalhos científicos com alto nível de evidência determinando que a TRT é segura e eficaz, e não há associação entre a TRT e chance de desenvolver câncer de próstata.

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